janeiro 22, 2011

Dom Milton Kenan Junior

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo

Vigário Episcopal da Região Brasilândia



Há um ano, no 25 de janeiro próximo, eu chegava à desconhecida e desafiadora cidade de São Paulo para tomar posse do meu ofício de Bispo Auxiliar de S. Paulo. Um dia de muitas recordações e emoções para mim!



Voltando o olhar para este primeiro ano, como Bispo Auxiliar de S. Paulo, reconheço a graça inestimável, que Deus na sua bondade me confiou ao chamar-me, por intermédio do Santo Padre o Papa Bento XVI, para o ministério episcopal, nesta Igreja histórica e de tamanha grandeza como é a Arquidiocese de S. Paulo.



Poder conviver, tão de perto, com o cardeal Dom Odilo P. Scherer, nosso Arcebispo e com os Bispos Auxiliares, cujo testemunho de total dedicação no cuidado do Povo de Deus além de ser para mim uma grande lição é também um forte estímulo a procurar corresponder da melhor maneira a missão que me foi confiada!



Graça também tem sido a convivência com Dom Angélico Sândalo Bernardino, Bispo Emérito de Blumenau, que reside aqui em São Paulo, onde trabalhou por longos anos, que sempre me acolhe e trata como irmão mais experiente.



Para mim, a convivência com o presbitério, religiosos, religiosas e agentes de pastoral da Região Episcopal Brasilândia; e com os membros do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, do Fórum das Pastorais Sociais e do Mundo do Trabalho tem sido um grande aprendizado. O comprometimento de muitos deles com o povo sofrido das nossas comunidades, a presença solidária e profética junto às comunidades da periferia da grande cidade, a persistência diante dos desafios e obstáculos que a realidade urbana apresenta a busca constante por traduzir os valores do Evangelho na lida de cada dia, são uma grande lição para mim!



Ao voltar o olhar para este primeiro ano de episcopado dou-me conta do quanto ainda preciso aprender! A vida é sempre um aprendizado, não é mesmo? Não foram poucas as falhas de minha parte. As palavras de Jesus: “Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado, mais será reclamado.” (Lc 12,48), fazem-me pensar e me dar conta da gravidade da responsabilidade a mim confiada. Mas me conforta saber que não estou só, são muitos os irmãos e amigos nesta caminhada!



O ano de 2010 foi um ano precioso para todos nós da Arquidiocese de S. Paulo! Foi o ano do Congresso dos Leigos que envolveu e dinamizou tantas comunidades e grupos de nossa Arquidiocese! Os projetos elaborados que agora deverão ser implementados e realizados, a mim também enchem de esperança! Oxalá, impulsionados pelos muitos leigos e leigas, possamos deslanchar ainda mais numa ação evangelizadora inculturada, despertando todos para a coresponsabilidade e o estado permanente de missão, tão queridos e estimulados pela Conferencia de Aparecida!



O ano de 2011 também vem carregado de esperanças para todos nós! Prosseguindo na caminhada feita nestes últimos anos, no espírito do 10° Plano de Pastoral, agora será a vez de voltar o olhar para as paróquias, reconhecendo nelas o primeiro lugar do encontro com a Pessoa de Jesus e da inserção na vida da Igreja!



Fazem-me pensar as palavras de Jesus aos discípulos: “Erguei vossos olhos e vede os campos: estão brancos para a colheita. Já o ceifeiro recebe seu salário e recolhe fruto para a vida eterna, para que o semeador se alegre juntamente com o ceifeiro. Aqui, pois, se verifica o provérbio: um é o que semeia, outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhastes; outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles.” (Jo 4, 35b-38)



Lançando o olhar para a grande Igreja de S. Paulo vejo que é tempo de dedicar-nos à colheita, sabendo que colhemos o que não plantamos e o que plantamos outros colherão; lembrando ainda as palavras de S. Paulo aos Coríntios: “Assim, pois, aquele que planta, nada é; aquele que rega, nada é. Mas importa somente Deus, que dá o crescimento.” (1Cor 3,7)



Juntos, na seara do Senhor, sinto que o apelo é de nos dedicar sempre mais por fazer germinar as sementes por nós lançadas, e ao recolher os frutos produzidos não nos esquecermos daqueles que os semearam; mas, acima de tudo, lembrar-nos que somente Deus é que dá o crescimento!



A todos os que durante este ano foram companheiros e amigos, irmãos e irmãs de caminhada, meu muito obrigado e o desejo de que possamos crescer sempre mais na fraternidade!